Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio, estreia 12/05/2017

Hotel Lautréamont

 OS BRUSCOS BURACOS DO SILÊNCIO

DSCF3000                                                                                                                                               foto Lenise Pinheiro 

Espetáculo da Cia. Corpos Nômades é inspirado na obra de Isidore Ducasse, Conde de Lautréamont, considerado o precursor do Surrealismo na literatura.

Dia 12 de Maio de 2017 estreiou a remontagem do espetáculo ‘Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio’ (2009), com coreografia e direção de João Andreazzi. A temporada inicia o projeto que comemora 10 anos de existência da sede da companhia – o Espaço Cênico O Lugar, na Rua Augusta 325. O projeto foi contemplado pelo 20º Programa Municipal de Fomento à Dança da cidade de São Paulo e para comemoração dos 10 anos de existência do Espaço Cênico O LUGAR a Cia. Corpos Nômades conta com o apoio do O BOTICÁRIO NA DANÇA, através do PROAC-ICMS/Governo do Estado de SP.

‘Os Cantos de Maldoror’ 

Livro poético escrito entre 1868 e 1869 por Isidore Ducasse sob o pseudônimo Conde de Lautréamont. Poeta francês de origem uruguaia, Ducasse serve de referência para a construção e a elaboração dos momentos cênicos coreografados.

Como diretor e coreógrafo residente da Cia. Corpos Nômades, Andreazzi gerou um amplo espectro de encenações. De Marcel Duchamp a Samuel Beckett e de Manoel de Barros a Shakespeare, todos relidos a partir do tratamento específico dado ao corpo por Deleuze e Guattari, ele propõe encenações múltiplas, plurais. Ao mesmo tempo dança, teatro e música, as elaborações visuais criadas por Andreazzi e apresentadas pela Cia. Corpos Nômades são únicas; criando símbolos em cena, ao invés de simbolizar.

O próprio ser mutante protagonista do Conto, Maldoror, é um afrodisíaco para a criação coreográfica, um homem que se recorda de haver vivido durante meio século sob a forma de tubarão, nas correntes submarinas que margeiam as costas da África. Ora jovem, ora de cabelos brancos; aqui moribundo, ali capaz de façanhas atléticas; transformado em águia para combater a esperança, polvo para melhor lutar com Deus, porco em seus sonhos, coisa informe, misturada à natureza, objeto de identidade indefinida.

Trecho do poema: “É um homem ou uma pedra ou uma árvore quem vai começar o quarto canto. Disfarça-se no combate ao bem: Tinha uma faculdade especial para tomar formas irreconhecíveis aos olhos mais treinados”.  Esses elementos são extremamente férteis para a construção cênica coreográfica.

PALESTRA: “A Poesia Selvagem de os Cantos de Maldoror de Lautréamont”,  com Claudio Willer, no dia 20/05/2017 sábado das 18h às 20h. Evento gratuito. No Espaço Cênico O LUGAR – Sala Sul. Inscrições até o dia 19/05, pelo e-mail: ciacorposnomades@gmail.com, encaminhando carta de interesse e escrever no assunto (Palestra Lautréamont).

Ficha Técnica 

Concepção Geral, Direção e coreodramaturgrafia: João Andreazzi

Elenco: Gervásio Braz, João Andreazzi, Korina Kordova, Rossana Boccia, Vagner Cruz

Textos: Conde de Lautréamont

Assessoria dramatúrgica e tradução da obra do Conde de Lautréamont: Claudio Willer

Adaptações e novos textos: Claudio Willer e Cia. Corpos Nômades

Montagem Trilha Sonora: Vanderlei Lucentini

Pianista ao vivo: Diogenes Junior

Iluminação: Décio Filho

Figurino: David Schumaker 

Produção: Cia. Corpos Nômades

Recomendação etária: 14 anos

Agradecimentos: Bernhard Gal e Arco Duo (trechos da trilha sonora)

Serviço
“Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio”
Estreia 12 de Maio de 2017, temporada segue até 09/07/2017.
Sextas e sábados 21h, Domingos 20h30
Recomendação: 14 anos
Lotação: 64 lugares
Ingressos: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (Meia)
Espaço Cênico O LUGAR – CIA. CORPOS NÔMADES
Rua Augusta, 325
São Paulo – SP
tel. 011-32373224
www.ciacorposnomades.art.br
 DSCF2932          DSCF2931                                                             fotos Lenise Pinheiro  

Cia. Corpos Nômades / João Andreazzi

Desde seu lançamento em 1995, a Cia. Corpos Nômades participou de diversos eventos das Artes Cênicas:

Com o espetáculo As Últimas Tentações de Santo Antão, a Cia. apresentou-se no Teatro Sérgio Cardoso/SP, no CCSP e no Festival Porto Alegre em Cena de 1995. Com os espetáculos Under One’s Very Eyes e Password:003, cumpriu temporada no Teatro Melkweg em Amsterdã em 1997. Com Shoot in the Hood, co-produção do Teatro Melkweg e Fellowship Phillip Morris, cumpriu temporada no Teatro Melkweg, participou do Festival Nederlandse DansDagen de 1998 em Maastrich (NL) e do evento “Dança em 1º ato” no SESC Pompéia/SP em 1999.

Com o espetáculo de OOZE/EZOO (uma co-produção da Bienal da Dança do SESC de 2000, tendo como cenário o Cais de Santos-SP) – que integra elementos das artes cênicas contemporâneas e elementos da cultura Hip-Hop – integrou a programação do Balaio Brasil realizado pelo SESC São Paulo. Em 2001 OOZE/EZOO foi selecionado para a Mostra Oficial do Festival de Curitiba. Em seguida fez uma curta temporada no SESC Pompéia e uma Turnê pelo interior de São Paulo.

Em 2002 a Cia. fez a abertura do evento Outras Danças no SESC Ipiranga/SP com o espetáculo Pôs-Ter.

Em 2003 participou do evento Dança no Arena do Centro Cultural São Paulo (CCSP) com Remix-Pôs/Ter.

Em 2004 esteve com o espetáculo Hyperbolikós no espaço do Itaú Cultural e no CCSP nas Semanas da Dança. Com a mesma obra, realizou uma turnê pelo interior de São Paulo por algumas unidades do SESC em 2005 e integrou a programação do Panorama SESI de Dança e o evento 4 Movimentos no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro em 2006.

Com o espetáculo solo Nocaute, apresentou-se no CCSP, Fórum Mundial de Cultura no SESC Pompéia e na Mostra de Dança de Santo André em 2004. Com esse mesmo solo também integrou o Panorama SESI de Dança de 2005.

Em 2005, com Algum Lugar Fora do Mundo – espetáculo em comemoração aos 5 anos de existência – a Cia. participou da Mostra Internacional SESC de Artes Mediterrâneo, da Virada Cultural da Cidade de São Paulo e das Semanas de Dança CCSP. Em 2006, participou da Caravana Paulista de Teatro. Em 2007 a Cia apresentou uma temporada no O LUGAR. Em 2008 apresentou-se na Caixa Cultural Rj – Teatro Nelson Rodrigues.

Em 2006 apresentou Cenas Corpos Nômades no evento Semanas de Dança – CCSP e na Virada Cultural da Cidade de São Paulo.

Em 2007, Gramática Expositiva do Chão teve pré-estréia nos SESCs São José do Rio Preto e Santana, fez temporada no O LUGAR e em 2008 esteve no SESC Sorocaba, SESC Ribeirão Preto e cumpriu temporada no O LUGAR.

Em 2007 o espetáculo Fuga Fora do Tempo teve sua estreia no evento Dança em Pauta do CCBB – SP. Esteve em temporada no O LUGAR em 2007 e em 2008.

Em 2008 o espetáculo O Barulho Indiscreto da Chuva teve sua estreia e permaneceu em temporada no O LUGAR.

Em 2009 houve a estreia do espetáculo Édipus Rex – A Máquina Desejante no Espaço Cênico O LUGAR com patrocínio da Sabesp.

Em 2010 Espectros de Shakespeare – Do Outro Lado do Vento teve sua estreia no SESC Consolação e permaneceu em temporada no O LUGAR. Em 2014 fez turnê pelo interior do estado de SP a convite do SESI – SP.

Em 2011 o espetáculo Na Infinita Solidão dessa Hora e desse Lugar teve sua estreia no O Lugar. Temporada em 2012.

Em 2012 o espetáculo Uma Sinfonia Entre a Medula Óssea e o Piscar dos Olhos teve sua estreia no O Lugar. Temporada em 2013.

Em 2014 o espetáculo Hostel Project teve sua estreia no O Lugar. Participou de uma Mostra no SESC Campinas e do Fórum Internacional de Cultura por cidades de SP.

Em 2015 o espetáculo O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne teve sua estreia no O Lugar. Foi apresentado em Recife, no Rio de Janeiro e em Florianópolis em 2016.

Prêmios
1995    Prêmio Flávio Rangel da SECSP
1998    Prêmio/Fellowship Phillip Morris, Amsterdã
1998    Revelação Nederlandse DansDagen, Amsterdã
2000    APCA
2002    Funarte – EnCena Brasil
2003    Rumos Itaú Cultural Dança
2004    Prêmio Estímulo à Dança SMCSP
2005    APCA
2006    Programa Municipal de Fomento à Dança de São Paulo (2008, 2011, 2012 e 2016)
2007    Funarte Klauss Vianna
2009    Prêmio Estímulo da Secretaria do Estado da Cultura de SP (SABESP)
2010    APCA
2013    Petrobras Cultural
2016    Cena Aberta FUNARTE
2016    O Boticário na Dança.
Informações para imprensa: 
CIA. CORPOS NÔMADES 
(11) 32373224/ 992314457
www.ciacorposnomades.art.br
fanpage facebook @ciacorposnomades @espacocenicoolugar

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fotos Cris Lyra

Sobre ‘Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio’ 

por João Andreazzi

O Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio inspira-se na crueldade da espécie humana, em relação à própria humanidade e ao ato de esconder ou silenciar seus desejos de maneiras estranhas e inquietas. Os corpos dos intérpretes “zoomorfizam-se” e “zoofiliam-se”, como os personagens criados nos Cantos de Maldoror, exalando um surrealismo cênico, de onde brotam as conexões e as digladiações do corpo e da fronteira com o dito subconsciente.

A corporeidade e a vocalidade da Cia. Corpos Nômades prestam para alargar o conceito de coreodramaturgrafia; a coreografia e a dramaturgia utilizam-se dos corpos dos intérpretes para orquestrarem e ressoarem toda a poética “lautreamonica”. A criação do espetáculo foi instigada e alimentada pelo tradutor das obras do Conde de Lautréamont, o poeta e ensaísta Claudio Willer. Este foi um encontro de inteligências malditas abençoando todo o processo investigativo. Este procedimento, como foi o caso da parceria com a dramaturga Marici Salomão na a criação do espetáculo O Barulho Indiscreto da Chuva, dá continuidade à investigação cênica, avançando na interação do corpo com o espaço total – com o que fica abaixo da pele e com o que se estende além dela.

Sobre ‘Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio’

por Claudio Willer

‘João Andreazzi e a Cia. Corpos Nômades se inspiram na obra de Isidore Ducasse, que adotou o pseudônimo de Conde de Lautréamont para escrever Os Cantos de Maldoror, nascido no Uruguai, morreu desconhecido, misteriosamente, em Paris aos 24 anos, em 1870. Além de ser um ousado exercício da liberdade de criação é um ataque ao “corpus”, não só literário, porém de todos os campos do conhecimento, e dos valores e ideologia que os sustentam, para atingir a idéia do bem e, por extensão, qualquer positividade; principalmente, para atacar a lógica do discurso, a razão cartesiana.

Essas qualidades de Os Cantos de Maldoror foram perfeitamente assimiladas por João Andreazzi e seus colaboradores da Cia. Corpos Nômades. No lugar de uma impossível transposição literal das narrativas de Lautréamont, Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio é uma montagem de fragmentos, detalhes sugestivos, impressões provocadas por passagens do texto; por sua gama de sugestões visuais e sonoras; e, especialmente, corporais. Os Cantos de Maldoror pode ser lido como apresentação do mundo onde tudo pode ser outra coisa; uma epopeia da metamorfose; especialmente, da transformação dos corpos. Daí seu bestiário, que tanto impressionou surrealistas: o homem-peixe, o piolho gigante, os adolescentes-tarântula, dragões, a bruxa transformada em bola de esterco, o escaravelho gigante, o homem com cabeça de pelicano, o arcanjo-caranguejo, o Deus-rinoceronte. Essas transformações simbolizam a liberdade absoluta, através da capacidade de ultrapassar as barreiras do corpo físico. Por isso, é mutante também o protagonista, o próprio Maldoror, ora jovem, ora de cabelos brancos, transformado em águia para combater a esperança, polvo para lutar com Deus, porco em seu sonho da felicidade perfeita, coisa informe, misturada à natureza, objeto de identidade indefinida.

Essa temática da metamorfose como que pede a transposição para o espaço cênico através de falas, de sugestões visuais e sonoras, e principalmente pela dança e expressão corporal, na qual os integrantes da Cia. Corpos Nômades, de modo perfeitamente coerente com o nome e os propósitos desse grupo, vão se metamorfoseando diante do público, criando, por sua vez, novos corpos; ou os mesmos, corpos, porém multiplicando suas possibilidades expressivas.

Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio é uma criação que se processa através de ressonâncias, de inconsciente para inconsciente, de sensibilidade para sensibilidade, passando dos trechos e conteúdos da obra de Lautréamont – especialmente a experiência de sentir-se um estranho no mundo, um hóspede neste nosso insólito “hotel” terreno – para os espaços cênicos, e destes para o espectador, assim convidando-o à recriação, à cumplicidade e participação. É um convite ao público, para que este mobilize sua imaginação, e se torne co-autor dessa obra em processo, em permanente movimento- simbolizado pela imagem da ratoeira perpétua – que o autor de Os Cantos de Maldoror pôs em marcha.

Algumas opiniões e manifestações sobre Lautréamont:

A história da poesia moderna é a de um descomedimento. (…) O astro negro de Lautréamont preside o destino de nossos maiores poetas. Octavio Paz.

Os Cantos de Maldoror e Poesias brilham com um fulgor incomparável: são a expressão de uma revelação total, que parece exceder as possibilidades humana. Com ele, o famoso “tudo é permitido” de Nietzsche não permaneceu platônico, pretendendo significar que a melhor regra aplicável ao espírito ainda é a orgia. André Breton.

Ele era, sem dúvida, um gênio irredutível para o mundo, e não mais desejável para o mundo do que Edgar Poe, Baudelaire, Gérard de Nerval ou Arthur Rimbaud. Antonin Artaud.

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