PROGRAMAÇÃO CIA. CORPOS NÔMADES 2020.

Corpos Nômades ocupará a Oficina Cultural Oswald de Andrade.

As atividades deveriam ter iniciado em abril de 2020, mas devido ao Covid-19, foram adiadas, a princípio para julho de 2020. São diversas atividades gratuitas, que acontecerão nesse espaço incrível, que abriga atividades culturais desde 1986. Futuramente serão divulgados os dias e horários das ações, pedimos para ficar atento ao site e as redes sociais da Cia. Corpos Nômades (facebook @ciacorposnomades e instagram #ciacorposnomades). Caso desejar envie um e-mail demostrando seu interesse em participar em algumas das ações e assim que normalizar a situação encaminharemos mais detalhes.

Ensaios, Workshops/Ateliês Coreográficos, Palestras, Bate-Papos, Observatório Participativo e Apresentações dos Espetáculos: “O Especulador de   Olhos Invisíveis de Carne” e “O Eterno Voo de Dr.Faustroll na Clareza Obscura do Ar“.

Com a intenção de aprofundar e difundir a linguagem cênica coreográfica realizada pela Companhia, propõe-se a realização dos ensaios na Oficina Cultural Oswald de Andrade, juntamente com as ações inclusas, tais como: Ateliês de Criação com a Corpos Nômades, que abordarão:  a técnica corporal,  a improvisação, a criação, a dramaturgia e as concepções dos elementos das montagens de cada espetáculo (figurino, luz, trilha sonora, cenário e vídeo) e Palestra sobre Literatura: Alfred Jarry e Surrealismo, com Claudio Willer.  Sempre utilizando como referências os modos e maneiras criativas realizados nos processos de pesquisa sobre as obras e reflexões utilizadas para montagem dos espetáculos.

Formação e Difusão

1 – Difusão de espetáculos de repertório, que também acontecerão em diferentes locais da cidade de São Paulo, além da Oswald de Andrade, “O Eterno Voo de Dr. Faustroll na Clareza Obscura do AR” e do “O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne” (que serão adaptados para os diferentes Espaços). Ao final de cada espetáculo acontecerão bate-papos com o público presente.

2- Ateliês/Workshops Corpos Nômades, nos locais de circulação dos espetáculos de repertório cada qual envolvendo o tema dos espetáculos. Cada vivencia contará com uma carga horária de 4 horas cada. Sendo cinco para “O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne”, que teve sua inspiração na Cultura dos índios Guaranis e no Despovoador de Samuel Beckett e cinco para “O Eterno Voo de Dr. Faustroll na Clareza Obscura do Ar”, com inspiração em Alfred Jarry, na Patafísica e no Surrealismo.

3-  Palestras com Claudio Willer, sobre Alfred Jarry/Patafisica e Surrealismo em locais de circulação na região periférica da cidade de São Paulo, além da propria Oficina Cultural Oswald de Andrade, que acontecerão antes das apresentações do espetáculo “O Eterno Voo de Dr. Faustroll na Clareza Obscura do Ar”.

4 – Oferecer o programa de observação-participativa durante as fases finais das remontagens e as temporadas dos espetáculos, para no mínimo dois estudantes de dança, performance, teatro, artes plásticas ou vídeo, que estejam interessados em entrar em contato com o processo de criação interdisciplinar da Cia;

O intuito deste projeto que foi contemplado com o 27º Programa Municipal  Fomento à Dança de São Paulo, é o de difundir e fazer circular os espetáculos da Cia. Corpos Nômades, tanto na periferia de São Paulo, bem como pela região central em outros locais, que não o O LUGAR (antiga sede da Companhia). Serão abertos chamamentos, inscrições para que todos os interessados se inscrevam e após as datas finais, serão feitas as seletivas pautadas no interesse e na ordem de inscrição. Para os Ateliês/Workshops Coreográficos e Palestras também ocorrerão uma ampla divulgação para os interessados com um bom prazo de antecedência.

O Eterno Voo de Dr. Faustroll na Clareza Obscura do AR

Uma Incrível navegação no Bingo da Sociedade Secreta da Patafísic

Com o cenário semelhante a um programa de auditório, parte da trilha sonora executada ao vivo, máscaras e coreografias que mostram movimentos não convencionais, essa última obra da Companhia dá  continuidade à pesquisa da Corpos Nômades.

Criado a partir do mito de Dr. Fausto, visitado pelo escritor Johann Wolfgang von Goethe nas obras Zero, o 01 e o 02 – Dr. Faust, escritas ao longo de sua vida e desenvolvido depois por Alfred Jarry em Dr. Faustroll, publicado postumamente em 1911, a história do novo espetáculo da Cia Corpos Nômades é centrada no personagem “fundador” da Patafística (ciência das soluções imaginárias e das leis que regulam as exceções), que nasceu com 63 anos. O Eterno Voo de Dr Faustroll na Clareza Obscura do Ar – Uma Incrível Navegação no Bingo da Sociedade Secreta da Patafísica.

Neste espetáculo,  onde os bailarinos/atores conduzem jogos, desafios e até um convite para que o público participe de uma competição de bingo. “O nonsense presente na obra faz do Dr Faustroll um jogador, apresentador, anfitrião e palhaço, em busca da eternidade e do absoluto, conta João Andreazzi, diretor do trabalho e fundador da Cia Corpos Nômades.

O surrealismo, elemento frequente nos trabalhos da companhia, se evidencia tanto na montagem cênica quanto nas coreografias, que carregam os bailarinos com figurinos, máscaras e adornos inusitados. “Na montagem, buscou-se projetar a noção/imagem ao corpo do intérprete, da junção faustrólica, patafísica, surrealista e das diversas citações e navegações contidas na obra de Jarry”, explica João.

A escolha do titulo  faz referência à obra Gestas e Opiniões do Doutor Faustroll, Pataphysico – Romance Neoscientifico, em que há uma divisão de 8 livros e 41 capítulos. O livro foi escrito por Alfred Jarry, traduzido por Eclair Almeida e traça um universo rico e eclético de referencias à arte, à ciência, à patafísica e ao imaginário da existência e da alma humana.

As obras escritas por Marlowe, Thomas Mann e Fernando Pessoa, que se inspiraram no mito de Dr. Fausto, também foram pesquisadas e utilizadas como inspiração durante o processo de criação.

A trilha sonora é composta por trechos de músicas que foram operadas pelo DJ Thiago Duar, tais como:  Carmen Miranda, Greetchen, Óperas que utilizaram o tema do Dr. Fausto, Miriam Makeba,  Quiça-Quiça (Perhaps-Perhaps) e de outros compositores, mescladas com o trompete de Guilherme Mendonça (Guizado).

O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne – Trabalha com a sessão de sufocamento das grandes cidades,  pela especulação imobiliária e pela má utilização/distribuição do solo. O texto “O Despovoador” de Samuel Beckett (escrito no final da década de sessenta) serve como uma importante inspiração/provocação para a criação e alinhava às  outras fundamentais fontes inspiratórias: os locais visitados em 1999 e revisitados em 2014 e 2015, pela Cia. Corpos Nômades, na região centro norte  da cidade a extinta Favela do Gato, nas aldeias dos índios Guaranis na região noroeste (Pico do Jaraguá) e na Zona Sul (Krukutu e Tenondé-porã).   Estes alinhavos feitos com diferentes texturas e sensações somados aos pensamentos de Deleuze e Guattari sobre o Capitalismo  e Esquizofrenia deram de forma estranha e inquietante os tons finais da dramaturgia às coreografias, brotando desta junção as ditas “coreodramaturgrafias*” (*termo para designar as junções: movimentos vocais e corporais, textos, projeções, trilha sonora, elementos cênicos  com as coreografias).

Esta obra da companhia dirigida pelo coreógrafo e bailarino João Andreazzi resgata o princípio da ideia do “corpo nômade”, inquietação artística de Andreazzi, dando sequência a uma pesquisa iniciada há 16 anos, cujo o lugar/foco foi a extinta  favela do Gato (hoje conjunto habitacional do Parque do Gato)  e a Cultura Guarani  (Aldeias: Krukutu e do Jaraguá). Lugares que foram revisitados em 2014 e 2015 com o intuito de observar as modificações ocorridas  nesses locais.

Link do vídeo O Especulador de Olhos Invisíveis:

Trecho de Textos  traduzidos para o Guarani de Samuel Beckett

O CAMINHO (Tradução por Francisca Guarani e Marcos Tupã)

O caminho serpenteava do sapé ao topo e ali adiante para baixo noutro caminho.

Tape ojeapa apa yvy’ã kupere yvate peve a’eva’e rovai re amboae yvy rami.

Adiante para baixo. Os caminhos se cruzavam a meio caminho mais e menos.

Ovaive’i yvy rami. Tapekuery nhovaexim tape ku’a rexei katy rai’i.

Um pouco mais e menos que a meio caminho para cima e para baixo.

Etave’i a’e embovy ve’itape ku’a yvate rami há’e yvy rami.

Os caminhos eram de mão única.

Tape kery ma oa rive.

Nada de regressar o caminho para cima de volta para baixo.

Ojevya e’ỹ tape yvate rami ojevy a ma yvy rami.

Nem no todo do topo ou sopé nem em parte deste caminho.

Ijapytere yvy’ã kupe re kova’e tapere’ỹ

Ficha Técnica

Direção e coreodramaturgrafia: João Andreazzi

Elenco:  Rossana Boccia, Fabiola Camargo, Cristiano Bacelar, Lina Agifu  e João Andreazzi

Trompete: Guilherme Mendonça (Guizado)

Preparação Corporal: João Andreazzi

Trilha Sonora: O Eterno Voo de Dr. Faustroll –  Guizado;

O Especulador de Olhos Invisíveis de Carne – Felipe Julian.

Operação de luz: (será contatado no futuro)

Operador de Som: Artur Menezes

Iluminação: Rossana Boccia.

Assessoria poética e Palestra: Claudio Willer

Figurino: Cia. Corpos Nômades e David Shumacker (o Especulador)

Vídeo Arte ao vivo e ou off: Daniel Carvalho

Produção: Cia. Corpos Nômades.

Fotos: Inês Corrêa, Fabio Zerbini e Eduardo Ribeiro

Palestra sobre  “Alfred Jarry e o Doutor Faustroll; patafísica e surrealismo”, com Claudio Willer

Serão examinados, ao longo do curso e workshop, aspectos da enorme contribuição de Alfred Jarry, o modo como foi assimilada pelo surrealismo e as possibilidades de projetá-la ou mobilizá-la como instrumental para a criação e para enriquecer o relacionamento com a vida em São Paulo.

Jarry foi autor de uma obra colossal (os três volumes de sua obra completa pela coleção Pléiade somam 4.500 páginas), abrangendo a dramaturgia, poesia e prosa. Nela se destacam as versões da peça teatral Ubu (Ubu ReiUbu AcorrentadoUbu Cornudo etc) e as narrativas O supermacho e Doutor Faustroll, recentemente publicada no Brasil, na qual é proposta e formulada a Patafísica, “ciência das soluções imaginárias”, que consiste no estudo dos epifenômenos, do aparentemente circunstancial ou irrelevante.

Encarnação radical do anarquismo individualista que permeou o simbolismo, Jarry talvez tenha sido a expressão máxima da busca da unidade entre vida e arte, autor e obra; e, conseqüentemente, da fusão entre sujeito e objeto. Foi tema de estudos biográficos e sobre boemia parisiense por suas características como personagem, excêntrico delirante, levando a seus extremos a provocação romântica e o dandismo convertido em farsa. Comportamentos que fariam com que fosse classificado como performático, portanto moderno, assim comentados por André Breton na Anthologie de l’humour noir:

Essa aliança inseparável de Jarry e do revólver (…) pode ser tomada como a chave final de seu pensamento. O revólver é aqui o traço de união paradoxal entre o mundo exterior e o mundo interior. […] a partir de Jarry, muito mais que de Wilde, a diferenciação entre vida e arte, tida por muito tempo como necessária, vai se encontrar contestada, para acabar sendo aniquilada em seu princípio.[1]

Jarry e os expoentes do que medeia entre pós-simbolismo e vanguarda foram sucessores de um determinado tipo de coerência, uma ética às avessas. Acreditaram na correspondência entre signo literário e vida. A exteriorização exacerbada não foi, portanto, mera curiosidade. Mostra o escritor apresentando idéias e símbolos nos dois planos, do texto e da vida. Na criação e encarnação de Ubu, do Doutor Faustroll, e em tantas outras ocasiões e episódios, Jarry pôs em ação o pensamento mágico ao identificar linguagem e realidade, querendo que o símbolo fosse ativo no plano do real. Isso levou o ensaísta Roger Shattuck a comentar que “um universo de total alucinação acabou por invadir toda a vida e a obra de Jarry”, observando ainda:

[…] aquilo que distingue Jarry de toda uma tradição de visionários, de Plotino a Rimbaud, é, antes de tudo, haver tentado, chegando quase ao suicídio, atingir um grau novo de existência, através do mimetismo literário, de confusão entre vida e arte.[2]Com o acréscimo do comentário de Shattuck, vê-se, portanto, que a mirada bretoniana contribui para a interpretação de uma tentativa de superação da contradição entre o simbólico e o “real”, ou o mundo do sujeito e das coisas. Sua discussão alimentará as sessões deste curso e oficina.Número de vagas: 50 pessoas.

Workshops/Ateliês Coreográficos – Ateliês coreográficos em dança contemporânea, destinados a estudantes e profissionais de dança, com carga horária de 3 horas, divididas em três encontros que serão realizados no O Lugar. O objetivo desses ateliês é proporcionar aos participantes a oportunidade de vivenciar um pouco do processo criativo da Cia. Corpos Nômades, levando esse aprendizado para a criação dos seus respectivos trabalhos artísticos, que intitula-se coreodramaturgrafia.

Número de vagas: 30 pessoas.

PROGRAMAÇÃO 2019

A ARTE DA PRESENÇA” – Sônia Mota

                               Três definições da  Arte da Presença de Sônia Mota

“Arte da Presença se fez a partir quatro anos de Rompimento, desaprendendo o aprendido, de 15 anos de Reconstrução criando novas texturas nos movimentos desaprendidos, e sete anos de Restituição, sintetizando o  material redescoberto.”

“A Arte da Presençaprevalece as qualidades imprevisíveis e indomáveis do ser humano, cohabitando-as com os valores sociais e culturais da sociedade.”

“A Arte da Presença, sem ser meditação, acentua a maneira individual de dançar do dançarino; sem ser uma técnica da improvisação, improvisa com as regras do dançar.”

Em suas aulas, Sônia pontua a prática dos seguintes tópicos:

–   a consciência da força da gravidade

–  a eliminação do eixo central em favor dos eixos laterais

–   o diálogo/jogo entre as polaridades do corpo

–   as qualidades de projeção e absorção do movimento

–   o relaxamento muscular para facilitar a liberdade das articulações ósseas

–   o uso da imagem na condução e execução dos movimentos

–   a eliminação do compromisso de acerto

–   o estado de não ação na ação

Vivemos em duas diferentes realidades que acontecem sempre juntas mas que na verdade quase não tem a haver uma com a outra: a realidade do Eu, com seus referidos valores sociais e culturais, e a realidade imediata, viva e atual da presença do ser. A Arte da Presença acontece nesta segunda realidade.

Desde  1976 Sônia vem ininterruptamente aplicando seu método na Europa e no Brasil.

Quando:Terça, quarta e quinta, 04, 05, 06 de Junho  das 18h às 20h30

Onde:Espaço Cênico O LUGAR – Cia. Corpos Nômades,Rua Augusta, 325  Consolação

Telefone: (11) 992314457

Inscrições através do e-mail: ciacorposnomades@gmail.com

Valor: R$ 280,00 para os 03 dias ou  aula avulse R$100,00.

Onde: Espaço Cênico O LUGAR – Cia. Corpos Nômades,Rua Augusta, 325  Consolação – Telefone: (11) 992314457 – Inscrições através do e-mail: ciacorposnomades@gmail.com

“CORPO/PERFORMER” –  Dança e Teatro – 2019   João Andreazzi   

O que vai ser:

Andreazzi criou esta aula  a partir de experiências corporais vivenciadas desde os anos 80. A aula, fruto de um trabalho corporal que deu origem a uma linguagem de movimentos, foi elaborada em 1999, quando o coreógrafo retornou da Holanda, após dois anos de estudo na School for New Dance and Development. Esse trabalho que também deu origem à Cia. Corpos Nômades, e que carrega princípios da idéia do nomadismo na dança e no teatro, tem os seguintes preceitos: permitir a fluidez do corpo pelo espaço utilizando o próprio impulso, sem ficar preso em contagens, formas, marcas; deixar o corpo experimentar o espaço externo e interno através do movimento. No escopo do curso há uma ênfase no trabalho de chão (floor work) e na técnica de expansão das articulações partindo da fonte do movimento, respeitando os órgãos e os sistemas do corpo. Por meio desse método, Andreazzi tem propiciado uma sólida formação a muitos artistas em dança e teatro contemporâneos.

No entanto, nesse módulo de 3 aulas, o intuito é o de provocar no intérprete/performer impulsos criativos orquestrados pelos sistemas corporais, através da utilização de sequências dinâmicas propiciando ao participante, estimular os movimentos corporais com totalidade, envolvendo intensamente sua “vocalidade” e corporeidade.

João Andreazzi, inicia sua carreira como ator, performer, bailarino e coreógrafo na década de 1980. Em 1990, passa a pesquisar o corpo e a dedicar-se ao ensino da Dança. Coreografa nos anos 1990 os espetáculos “Película da Retina”, “Dark Lady”, “Aventurança”, “Yorick “ e “As Últimas Tentações de Santo Antão”. No período de 1996 a 1998, vive na Holanda, como bolsista do Ministério da Educação na School for New Dance and Development, em Amsterdã, onde cria três coreografias: “Under One’s Very Eyes”, “Password:003” e “Shoot in the Hood” para o Teatro Melkweg, sendo uma delas selecionada para o Nederlands Dans Dag de 1998. Ao regressar da Holanda, em 1999, desenvolve o projeto “Things – m@loc@/F@vel@ – as Coisas”, envolvendo a cultura do Hip-Hop, do samba e dos índios guaranis. Esse contato inicial resulta o projeto “corpos nômades”. Ao término do processo surge a Cia. Corpos Nômades com o espetáculo “OOZE/EZOO” (2000) que, inspirado em poemas de Samuel Beckett, funde a dança contemporânea com elementos de hip-hop e vídeo-arte. A partir de então, seu currículo funde-se ao currículo da Cia. Corpos Nômades, assinando todas as coreografias desde então. Como coreógrafo e bailarino, ganha diversos prêmios (APCA, indicação Mambembe, Flávio Rangel, Bolsa da CAPES, Bolsa Vitae para o American Dance Festival, etc.). Como professor de dança contemporânea (criação, improvisação e técnica) vem ensinando desde 1990, em diversos locais.

 

Quando: Quintas, 13, 20 e 27 de junho de 2019, das 18h30 às 20h30

Número de Vagas: 20.

Público alvo:Performer, ator/atriz, bailarino(a) e estudantes de dança e teatro (iniciante e intermediário).

Inscrições através do e-mail:ciacorposnomades@gmail.com

Valor: R$ 280,00 para os 3 dias ou  R$100,00 por dia.

Onde:Espaço Cênico O LUGAR – Cia. Corpos Nômades,Rua Augusta, 325  Consolação – Telefone:(11) 992314457 – (Whatsapp).

Importante: Confirme sua vaga encaminhando um e-mail para (ciacorposnomades@gmail.com), com o Assunto: Aulas 2019 e o nome do Curso,  incluindo seu nome e telefone. Em seguida receberá um e-mail, informando o procedimento necessário para a confirmação.

 

Nova oficina de Surrealismo,

 Outubro/2018 no Espaço Cênico O LUGAR

Imagens Max Ernst

OFICINA: SURREALISMO, AS PORTAS DO MARAVILHOSO com Claudio Willer

Dias 01, 18, 15, 22 de outubro de 2018. Segundas das 19h30 às 21h30 Número de Vagas: 30 Público Alvo: Pessoas com interesse em literatura e criação artística em geral. Valor por aula de R$30,00 (pagos no dia de cada aula). Inscrições até 28/09/2018 através do e-mail ciacorposnomades@gmail.com – anexar uma carta sucinta de interesse e escrever no assunto Oficina com Claudio Willer. Na sede da Cia. Corpos Nômades – Espaço Cênico O LUGAR Rua Augusta, 325 – São Paulo – SP .

O surrealismo não será abordado exclusivamente como capítulo de literaturas nacionais e da história da literatura, mas como poética e visão de mundo. Como observou Octavio Paz em O Arco e a Lira, se “o surrealismo não é uma poesia, mas uma poética”, é “mais ainda, e, sobretudo, uma visão de mundo”. E, de modo mais enfático: “o surrealismo é um movimento de liberação total, não uma escola poética”. Também Julio Cortázar advertira contra enquadrar surrealismo em uma classificação periódica de escolas e movimentos literários: “Higiene prévia a toda redução classificatória: o surrealismo não é um novo movimento que sucede a tantos outros. Assimilá-lo a uma atitude e filiação literárias (melhor ainda, poéticas) seria cair na armadilha em que malogra boa parte da crítica contemporânea do surrealismo.”

Pretende-se não apenas ampliar o conhecimento da literatura propriamente surrealista, ou com vínculos como esse movimento, porém estimular a reflexão, a capacidade de leitura e interpretação de obras. E avançar na discussão das relações entre poesia, mito, magia, misticismo e hermetismo, mostrando como o surrealismo, sendo inovador, ao mesmo tempo retoma e até recupera uma tradição e modos arcaicos de pensar e ver o mundo.

Colagem Jorge de Lima

Um pouco do conteúdo destes encontros:

I- Antecedentes históricos: a rebelião romântica, poesia e filosofia; temas românticos em Breton e outros surrealistas;

II- A imagem poética no surrealismo e seus precursores; a poética de Baudelaire; Rimbaud e Lautréamont; simbolistas; Reverdy e Apollinaire;

III- A imagem surrealista e o pensamento analógico; sua fundamentação esotérica: analogia, imagem poética e o pensamento arcaico; surrealismo, ocultismo, hermetismo, filosofias e misticismos platônicos;

IV- Escrita automática, inspiração e criação espontânea: a poética visionária;

V- A relação surrealismo-psicanálise: controvérsias relativas ao inconsciente na criação;

VI- O maravilhoso surreal; o “acaso objetivo”; cidades como espaço mágico; da “flânerie” baudelairiana à disponibilidade bretoniana;

VII- A ruptura dos gêneros e o diálogo entre modos de criação; a contribuição surrealista às demais modalidades: artes visuais, inclusive fotografia e colagem; cinema;

VIII- Surrealismo em outras literaturas, além daquela de língua francesa: América Latina e literaturas de língua espanhola; o surrealismo português, de Mário Cesariny até hoje;

IX- Surrealismo no Brasil, de Murilo Mendes e Jorge de Lima até Roberto Piva e autores mais recentes;

X- As relações entre poesia e política e entre arte e vida;

XI- Como seria uma crítica a partir do surrealismo?

XII- Alcance e importância do surrealismo, hoje.